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O cantor Lenine e a sua paixão pelas orquídeas

De raízes aéreas, Osvaldo Lenine Macedo Pimentel, 53 anos, é recifense e cidadão do mundo – sua música já conquistou o planeta, com quatro Grammys e com turnês lotadas por onde passa. Sua seiva é composta de paradoxos, cresceu entre a mãe católica fervorosa e o pai comunista militante, ouvindo ao mesmo tempo Tchaikovsky e Luiz Gonzaga, estudando profundamente a língua portuguesa e o latim para fazer letras muito populares, como em Paciência, e para construir jogos de palavras afiadas e críticas veementes, como em Jack Soul Brasileiro. Já pensando na estrutura do caule, digamos, Lenine é gregário, superfamília. Casado há 25 anos com Anna Barroso, tem três filhos homens, João, 32 anos, Bruno, 23 (que tocam com o pai), e Bernardo, 16. “Há uns 15 anos, comprei um sítio na serra fluminense e lá, por acaso, descobri minha grande paixão: as orquídeas. Vi uma flor no alto de uma árvore, o caseiro disse que era uma parasita da região. Levei a planta comigo para comparar com fotos no Google e ali abri uma janela enorme para esse universo. Virei orquidoido!”. Quem vê Lenine no palco – íntimo do rock, mandando muito bem na sua guitarra Gretsch 1962 – e acompanha sua poética provocante custa a acreditar que ele goste tanto dessas flores quanto da música. Mas assim é: “O que me conquista nelas é a dicotomia entre a delicadeza da flor e a robustez da planta. Isso é uma loucura. É difícil conseguir machucar a raiz e as folhas. Mas, se tocar errado, elas desmancham”, diz ele, que adora os paradoxos na filosofia e na natureza: “Essa planta pode ficar 15 dias numa mala. Assim que ela entende que não tem luz, naturalmente reduz seu metabolismo. Como um faquir, hiberna até voltar para o ar livre e continuar florescendo. Isso é um sinal de inteligência”, conta Lenine, que costuma visitar orquidários e colecionadores nas cidades por onde passa com seus shows.

Fonte: Casa.com.br

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