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Orquídea necessita de zelo e perfeccionismo para florir

Cada vez mais populares, as orquídeas, que antes reinavam em poucos jardins elitizados, agora tomam conta de mercados, grandes feiras e todo tipo de residência. E mais do que isso, reúnem cada vez mais apaixonados e colecionadores pelo mundo todo. Mas há dois detalhes que fazem dessa planta um ícone entre as opções para colorir e alegrar um jardim: paciência e perfeccionismo. Isso porque, as orquídeas – que são encontradas em praticamente todas as regiões do planeta -, florescem apenas uma vez ao ano e, para isso, precisam de condições favoráveis, cultivadas no decorrer dos meses.

É por isso que, quase sempre, quem as cultiva é tido como paciente, organizado e perfeccionista. “Mas a espera compensa tudo”, garante Manoel Riyis Gomes, de 72 anos, orquidófilo e presidente do Círculo Orquidófilo Sorocabano. É ele quem conta que, das mais de 35 mil espécies (e outros 200 mil híbridos – espécies alteradas em laboratório), apesar de florirem juntas em várias épocas do ano, cada uma embeleza o jardim apenas uma única vez em doze meses.

“Há gêneros delicados, que as flores duram apenas alguns dias. Outra, mais resistentes chegam a durar três meses. Se a pessoa têm várias unidades, é possível manter o jardim sempre florido”, explica ele que, no próximo mês de dezembro, ministrará por meio do Círculo e em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), oficina de práticas de cultivo de orquídeas no Jardim Botânico Irmãos Villas Boas. De acordo com a bióloga Viviane Rachid, responsável pela oficina, a proposta surgiu devido a crescente demanda de cultivadores e colecionadores de orquídeas.

Um exemplo, conta Gomes, são os 110 associados do Círculo, que se mantém com reuniões periódicas há 15 anos. Ele explica que, apesar de ser uma planta que tem distribuição em todas as florestas do mundo e conta com diversidade de gêneros e espécies – distinguindo flores, cores e anatomia -, o cultivo da planta foi iniciado na Inglaterra medieval, por lordes da realeza e burguesia, já que para retirar as plantas de flores raras das florestas, era preciso ter dinheiro.

“O cultivo era elitizado por causa do custo, tanto de buscar a unidade na mata, quanto para mantê-la em condições favoráveis. Quem as cultivava eram chamados de sangue azul – pessoas de pele tão branca, por não tomarem sol, que as veias de sangue saltavam e pareciam azuis. Mandavam comitivas para diversas partes do mundo em busca de plantas. E como a orquídea precisa de pouco sol, sombra e umidade, era preciso contar com espaço específico, um jardim programado, para tê-la”, exemplifica.

Além disso, detalha o presidente da entidade, por essas mesmas razões sociais e demais culturais, apenas os homens eram colecionadores. “Por muitos anos, devido às condições financeiras, os homens é que as mantinham. Porém, com os passar dos séculos, difusão de informações e facilidade de acesso, o cultivo foi democratizado. A ponto de laboratórios do mundo todo se arriscarem nas alterações genéticas e popularizarem o comércio”, afirma. É por isso que atualmente, além de facilmente encontrá-las à venda, oriundas de produtores em alta escala, os cuidados também podem ser facilitados.

Vale destacar, diz Manoel, que muitas das espécies estão sumindo da natureza por causa da extração irregular de ribeirinhos, caiçaras e até índios. Por essa razão, frisa, o indicado é que os colecionadores, apaixonados ou iniciantes no hobby verifiquem, primeiro, a procedência da planta. “O bom colecionador, amante da natureza, quase sempre prefere orquídeas naturais e verifica a procedência. Amar a natureza e zelar por sua manutenção e a planta, obviamente, prefere a mata”, avisa.

Fonte: Cruzeiro do Sul